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fevereiro 5, 2014

os dias começam, acabam. as horas passam, como esperado, inevitavelmente.

minha pseudotranquilidade oscila à medida que relembro alguns velhos planos. à medida que encho a mala de roupas que podem nunca te ver.

vontade de fazer aquele avião cair. 

recife talvez seja mesmo algo a sempre evitar…

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fevereiro 2, 2014

(inexplicavelmente, fevereiro chegou sem que eu tenha percebido.)

fevereiro 2, 2014

ontem eu me deixei consumir pela saudade de você.

suas manias, seus gostos, suas músicas, suas risadas – tudo ao redor de mim era um pouco de você. e cuidadosamente gelo, alcool, taurina e outras substâncias se misturavam no meu copo. e não tão cuidadosamente assim a realidade se misturava com a minha saudade.

e tudo girava em volta de mim. tudo em volta de mim girava. ou girava eu mesma sobre meu pé esquerdo incomodado por alguma especie de caquinho de vidro? girava ali minha vida inteira. girava ali minha vontade urgente de consumir o tempo da saudade que eu não digeria. giravam em mim todas as coisas do mundo.

dormência nos dedos das mãos, bochechas formigando, coração batendo descompassado com o agogô que ritmava meus passos.
tudo em mim e tudo o mais era confusão. 

e d’entre plantas, bichos e água com cloro eu me deixei ficar até o sol se pôr. não que eu tenha visto ele indo embora. certamente teria havido uma lágrima de admiração das coisas cíclicas e belas. talvez uma esperança de a vida ser apenas isso: um ciclo interminável de coisas belas e quase sempre imperceptíveis. 

acordei quando o dia já estava feito. novamente sem perceber a sutileza do sol nascer.

hoje meu corpo é cansaço. saudade e alcool se misturam ainda não digeridos em mim. o tempo teima ao se consumir – queima lentamente na boca do meu estômago. 

suas manias, seus gostos, suas músicas e suas risadas ainda giram ao redor de mim.

janeiro 29, 2014

hoje eu hesitei, mas não consegui comer as batatas sorrisinho.

janeiro 29, 2014

toda lembrança tua é um convite à saudade.

como será que você está? o que será que prende a atenção dos teus olhos tão bonitos? será que tomas aqueles teus banhos desligando o chuveiro, ou será que choras com a água disfarçando as lágrimas?

se eu pudesse ter te acordado hoje, qual seria sua voz de sono? você diria ‘beijo, beijo’ pedindo carinho ou querendo voltar a dormir? você saberia do meu sorriso bobo do outro lado, por ser sua primeira experiência de vida quando você desperta?

se eu pudesse ter te dado boa noite ontem, será que ouviria que me amas? será que dormiria tranquila ou com o coração apertado que só quer desabrochar pra ter lugar pra você? será que se pudesse ouvir tua voz, sendo ou não pra me dizer coisas bonitas, será que eu conseguiria respirar melhor?

será que você é o ar que me falta?

uma coisa não mudou: antes de dormir aperto Hegel desesperadamente. evito respirar pra não sentir teu cheiro, mas tento de alguma maneira aproxima-lo do meu coração apertado, tento ver se apertando mais ajuda. tendo dar um jeito de te deixar me curar.

isso parece rídiculo, eu sei. mas será que se você estivesse aqui, faria o mesmo? será que eu teria teu abraço apertado pra afrouxar meu coração de dúvidas e medos? (não sei mas… era tudo, tudo o que eu queria)

janeiro 29, 2014

todo acontecimento ruim tem potencialidade para desabrochar em algo bom

todo desespero é uma possibilidade para consolo

todo medo é uma chance pra descobrir um novo porto seguro

(e carinho de mãe pra dor de amor foi a surpresa mais agradável dos ultimos tempos)

janeiro 15, 2014

está chegando o dia de chegar em recife. ou recife vai um dia, finalmente, chegar em mim. por dias. um dia que adio há anos. e outro. e outros.

nostalgia do vento na cara. maresia. coisa pouca, coisa bela, coisa nova. coisa quista, coisa esquisita, coisa evitada, coisa não vista.

recife chega como uma tempestade de raios. dessas que tenho visto na volta pra casa nos ultimos dias. dessas que fazem barulho, dessas que dão medo. e quando o olhar desatento se acostuma com o desconforto do perigo da chuva, uma linha clara e tênue atravessa o céu. ilumina. mostra em poucos segundos aquele emaranhado de nuvens, aquela configuração aleatória e caótica das coisas.

recife é caos. tenho medo de voltar a viver. tenho medo de tomar gosto por isso. tenho medo de abandonar a inércia. medo de trocar a tão segura e confortável ilusão de movimento. medo do que vai acontecer. ou não.

recife é como eu mesma. é como o que eu quis não ser, mas continuo sendo. é como o que eu quis ser, mesmo não tendo.

e quando engasgo de sentimentos incompreendidos. sufoco. quase morro. mas quando engasgo, recife vem ser meu ar. e falta tão pouco.
e um futuro inteiro falta tão pouco. e um futuro inteiro passa por tão pouco. ou fica. aflita. recife é ontem e pode ser amanhã. recife é de onde venho e pra onde vou. ou morro no meio do caminho. ou caminho. caminho.

não quero mais crer que uma realidade outra existe. recife está chegando em mim…