frasquinhos de descobertas
Comprei um esmalte bastante bonito hoje. E me dei conta de que estou comprando esmaltes quase que compulsivamente. Ainda não aprendi a pintar minhas unhas com destresa nem com a mão direita e muito menos passei a ganhar o bastante para pagar a moça da manicure sem precisar abrir mão do meu sorvetinho diário.
Me ocorreu que eu deveria evitar o caminho da farmácia – tal qual AAs evitam o caminho do bar. Mas que gente é essa que compra um ou até dois esmaltes na semana sem ao menos conseguir usa-los? Houve uma luz.
Tenho me interessado pelas cores. Os esmaltes têm aquelas cores duperdiversas lá. Naqueles vidrinhos coloridos parecem a estar guardadas sensações. E parece impossível usar Hippie Chic agora – a sensação do inverno é muito mais sóbria.
A revelação deste recém vício pelos esmaltes me fez considerar a arte visual como profissão. Porque além de gostar daquelas cores eu descobri que quero saber combiná-las. Tenho também reparado que a expressão visual pode vir, com um pouco de estudo e treino, a fluir mais facilmente do que a expressão literária. Quanto mais conheço a lingua portuguesa e suas peripécias, mais me cobro e me limito no ato de escrever. Já o estudo do design, por sua vez, me torna mais segura, mais disposta a ousar – e tenho ousado certo.
Começo a me dar conta então de que estou novamente diante daquele cansativo dilema pré-juvenil. E com um dia-a-dia de gente velha, sem paciência para pensar nos trâmites das escolhas profissionais. Por ora, continua sendo indiferente o desempenho com as unhas… procurar esmalte soa mais divertido e interessante.





