Hoje eu passei a noite acordada.
Fui “dormir” às 5h28 e ainda estava escuro porque aqui é São Paulo e os pássaros cantam antes do dia amanhecer.
Eu lembrei das palavras da minha mãe quando eu ainda estava em Recife: “Trate de regularizar seu horário! Nada de esperar até às 5 da manhã, quando o dia amanhece, para ir dormir”. Tudo bem, Mãe… desculpa. É que aqui não é às 5 da manhã que o dia fica claro então, tecnicamente, talvez eu não esteja errada.
Mas depois das 5h, mesmo ainda estando escuro, os minutos foram passando e a consciencia pesando de modo que eu não esperei até o dia amanhecer para subir e deitar na minha cama gelada que, no dia anterior, minha tia havia preparado com dois cobertores e muito carinho.
Enfiei-me debaixo dos cobertores pesados e iquei me mexendo até que a temperatura ficasse suportável e então parei meu corpo, observei os ursinhos na estante ao lado da cama e tive tempo bastante para revirar meus pensamentos e sentimentos.
Muito coisa me passou pela cabeça (e coração)… uma angustia sem tamanho ao lembrar da querida ex-professora em coma; uma ansiedade absurda ao cantarolar em minha imaginação a música escolhida para o vídeo de kk. e algo completamente indescritivel ao pensar no quão estanho é estar aqui de novo depois desse longo mês em Recife!
Nesse ultimo pensamento, os olhos enxeram de lagrimas. Desci para um copo d’água. No visor do microondas: 6:12.
Sentei um instante na escada com pensamentos e sentimentos confusos o bastante para que eu não fosse capaz de descreve-los aqui… “acordei” com o barulho da água num dos banheiros lá de cima. Tia Dú tinha acordado e eu dei um pulo para a cama (odeio ouvir especulações sobre o meu horario ou coisa do tipo).
Uns dez minutos depois, eu já estava muito bem camuflada entre os meus cobertores e fingindo aquele sono pesado, foi quando ela entrou no quarto. Puxou um pouco mais o meu edredon, foi até a cama da minha priminha e com um beijinho na testa disse: “Tchau, princesa… mamãe te ama!”. Minha priminha acordou de imediato: “Boa noite, mãe!” e a minha tia deu um risinho dizendo: “Não é boa noite, princesa… Mamãe vai trabalhar e volta mais tarde!”. “Tá”, minha prima se virou e dormiu novamente. Mais um beijinho e tia Dú saiu do quarto fechando a porta.
Eu abri os olhos fitando o teto já um pouco iluminado pela vasta luz do dia atravessando a janela e a cortina. E lembrei daquela minha ultima manhã em Recife, quando entrei no quarto das minhas irmãs – que costumava ser meu também – e dei um beijo sofrido na testa de cada uma delas esboçando um “Nina te ama muito, muito, muito, viu?” no ouvido. Elas não acordaram, nem disseram que era um ‘boa noite’ mas eu sei que soou mais ou menos como um “Nina vai trabalhar… e volta daqui uns… seis meses.”