sempre.
vontade de um novo amor.
que me inquiete de madrugada, me faça assistir um sono. que os olhos fechados sejam fotografia do mais belo filme outrora jamais escrito.
vontade de um amor que de novo me faça perder o medo. feito de entrega e desejo, apenas. e se na entrega este novo amor venha a se tornar velho de novo… de novo sentirei vontade.
vontade de agora. vontade de amor, novo. de novo.
ficando velha…
sabe como eu sei? meus amigos agora estão todos em “relacionamentos sérios”.
descobri isso via facebook.
e assim cada um começa um “relacionamento sério” e daqui a pouco tá todo mundo casando… e eu? sei lá, estacionei nos 15 anos.
saudade nova, de novo.
aconteceu o inesperado: além da saudade já bem situada em minha vida, estes dias andei sentindo uma angustia estranha, uma saudade diferente, alguma coisa que após ligeira digestão entendi como uma vontade absurda de ter recife novamente.
vontade de estar lá novamente. de passear por suas ruas mais bonitas, ver o por do sol com os pés na areia ou longe dela, no observatório da torre malakoff. vontade de rever meus amigos, meus amores.
amores. são tantos.
daqueles mais antigos, que já foram e talvez deles eu carregue resquícios – sinto saudades. lembro de sorrisos através de raras fotografias. quase 3, 3 anos se passaram. as pessoas mudam, eu mudei – as palavras são as mesmas… coisas que nos unem. detalhes que me entrelaçam novamente a cada antigo porém renascido amor. não são poucos.
uma frase da nossa música, uma breve lenda, uma mensagem de texto, uma lembrança antes de dormir e pronto. queria cada beijo de novo, com cada um, em cada lugar… 3 anos depois. é pecado amar demais? e querer amar demais de novo?
e querer amores inéditos?
tão distante – ainda assim. outrora tímido. por hora espaçoso, crescente. de encher o peito de esperanças, de encher os olhos de sorrisos, de trazer bobagens belas pra cada vida átona. um colorido em uma nova mensagem. vontade de fazer dar certo, de experimentar, ao menos conhecer… 2.800 km entre isso tudo.
2.800km entre mim e onde meu coração está agora.
é um desencontro.
queria ir buscá-lo. (nunca havia sentido isso tão forte.) resgatar a origem, de cada pedaço de lá que me faz estar aqui. relembrar os abraços que ainda hoje me sinto envolver – em passagens de memória que há muito não se repetem. fazer o caminho de volta para relembrar o caminho da vinda e vir de novo, e de novo, e de novo.
porém nova, a cada vez. a cada passo. de novo.
vontades. sim. (apenas.)
workaholic
acho que sou workaholic. horas e horas diárias de trabalho não me bastam. assumo compromissos nos meus raros dias de folga e me dedico ao máximo – na maioria das vezes, inconscientemente.
acho que sou workaholic. acho que gosto disso. não sei se quero parar.
junkie life style
ouço um grito do outro lado do corredor… minha tia:
“VOCÊ TÁ COM CELULIIIIIIITE!”
sem desespero. ninguém escapa!
não abro mão do meu refrigerante diário antes dos 30!
mas devo ouvir esse tipo de comentário aqui em casa por pelo menos mais uma semaninha!
recorrência
caractere recorrente neste blog: ?
caractere recorrente em minha vida: ?
(ponto final não tem mais graça.)
pausa
parece-me que as palavras tem andado descontruídas. textos, formas e combinações rondam meu pensamento sem que se concretizem. a vontade de escrever é mais bela que o (f)ato em si.
verdade é que parei um pouco. não por querer, mas por não mais encantar.
dificil isso. encantamento é negocio para poucos. definitivamente, não para mim.
frasquinhos de descobertas
Comprei um esmalte bastante bonito hoje. E me dei conta de que estou comprando esmaltes quase que compulsivamente. Ainda não aprendi a pintar minhas unhas com destresa nem com a mão direita e muito menos passei a ganhar o bastante para pagar a moça da manicure sem precisar abrir mão do meu sorvetinho diário.
Me ocorreu que eu deveria evitar o caminho da farmácia – tal qual AAs evitam o caminho do bar. Mas que gente é essa que compra um ou até dois esmaltes na semana sem ao menos conseguir usa-los? Houve uma luz.
Tenho me interessado pelas cores. Os esmaltes têm aquelas cores duperdiversas lá. Naqueles vidrinhos coloridos parecem a estar guardadas sensações. E parece impossível usar Hippie Chic agora – a sensação do inverno é muito mais sóbria.
A revelação deste recém vício pelos esmaltes me fez considerar a arte visual como profissão. Porque além de gostar daquelas cores eu descobri que quero saber combiná-las. Tenho também reparado que a expressão visual pode vir, com um pouco de estudo e treino, a fluir mais facilmente do que a expressão literária. Quanto mais conheço a lingua portuguesa e suas peripécias, mais me cobro e me limito no ato de escrever. Já o estudo do design, por sua vez, me torna mais segura, mais disposta a ousar – e tenho ousado certo.
Começo a me dar conta então de que estou novamente diante daquele cansativo dilema pré-juvenil. E com um dia-a-dia de gente velha, sem paciência para pensar nos trâmites das escolhas profissionais. Por ora, continua sendo indiferente o desempenho com as unhas… procurar esmalte soa mais divertido e interessante.
azul e amarelo
Este post está munido de incríveis fotografias de Fernanda Petelinkar.
tantas coisas para dizer e tantas palavras que não vêm.
não sei como você sobreviveu ao clima do verão passado. não sei como sobrevivemos à vida daquela nossa última primavera. é estúpido dizer que muita coisa mudou – todo mundo sabe, tudo muda… todo… todo mundo.
mas sinceramente nunca acreditei que minha paleta de cores jamais teria novamente o contraste de tantos olhos e cabelos pelos quais me apaixonei. (talvez até pudesse ter, mas minha pupila maldita registra apenas o que quer ver… e não vejo mais outros olhos ou cabelos ou contrastes.)
tudo é preto e branco. ou antes azul e amarelo. odeio amarelo… amo azul. por que se complementam? amor e ódio? amor é ódio? não… azul e amarelo. bonitos juntos como em tantas fotografias. como em estampas. desenhos. criações. realidade inventada. é… realidade inventada! é disso que estou precisando.
preciso inventar uma realidade apesar de viver. uma realidade com muito azul e pouco amarelo. preto e branco talvez. tons estranhos, frios, calmos. viver me agita muito a alma – e eu cansei.
cansei de esperar tanto pelas palavras que não me vêm.
Fotografias de Fernanda Petelinkar – só pra ilustrar minha relação de amor e ódio pelo azul-amarelo e minha imensa admiração por cada clique dessa moça.
sim, estive distante. por muito tempo não escrevo – nem aqui nem no meu querido caderninho minimalista de capa preta e espiral. é fato que eu estava tentando digerir. tentava, durante este tempo todo, em vão, compreender.
não a vida. a vida não. sei que dela jamais serei capaz de absorver o bastante. sei que minhas enzimas não se encaixam muito bem em seus substratos. e compreendê-la tomaria de mim esta segurança que tenho por não entender.
não, não quero digerir ou compreender a vida.
tentava digerir você. estava destruindo, biologica ou psicologicamente, cada pedacinho de você que sobrou em mim. e foi por isso que estive distante. precisei me doar completamente a este trabalho quase insuportável que foi me livrar de você incorporand0-lhe ainda mais.
tentei compreender cada detalhe de tudo o que aconteceu. vi cada sinal de maneira diferente. tomei a consciência de alguem que vê de fora, alguem que vê.. relevei a paixão, o suposto amor – eles na verdade nunca existiram. (ou na verdade eu talvez esteja mentindo.)
na verdade quase nada existiu. na verdade fomos (e somos) apenas pano pra manga. pessoas que viram uma na outra o comodismo que cada uma precisava naquele momento. e então o momento passou.
e agora, com a imparcialidade de quem não quer mais fazer julgamentos, eu comprrendo. revirando nosso passado e seu presente, eu comprrendo você. e compreendo cada palavra sua. cada palavra que você é capaz de repetir a outro alguem me ajuda a me compreender agora.
oh, meu bem, você é tão previsível.
você com seus olhos brilhantes, suas manias infantis e estúpidas, sua alegria calculada, sua paixão inventada. tudo, tudo em você é extremamente previsível (e compreensível). e a sua vida se repete, seus planos se reconstroem sem jamais serem concretizados. e vendo aqui de fora, meu bem… ah, vendo aqui de fora você não tem ideia de quanto tudo faz sentido. embora pateticamente, faz sentido.
e agora que compreendo todavia não mais desejo esta compreensão. e a vida é assim… quase nada faz sentido. pateticamente, subitamente tudo perde o sentido.







