meu caro inestimável,

tenho respirado novos ares, tenho lido novos blogs, baixado novos cds, ido a novos shows… mas me diz uma coisa? o que todo mundo tanto fala desse tal de amor? por que que tanto sofrem por ele, os poetas e os compositores?

e o sexo nisso tudo? ora tão sublime, ora tão vulgar. eu, inestimável, eu que tenho me aventurado a descobrir novos corpos, cheiros e tempeiros não sei mais o que pensar.

que tanto alcool é esse que há nesse tal de amor que embreaga tanto as pessoas? e essa ressaca que dizem não ter cura? e quando junto com o amor, o sexo vem dissolvido? se no começo é aventura, inestimável, no fim tudo parece estar perdido.

tenho medo de amar também. minha mãe me disse que amar era bom, mas agora tão longe, meu medo é descobrir que a realidade é o contrário das histórias de mamãe. em Recife todo amor tem benção das águas do mar, do calor ardente e do céu azul. aqui não. aqui as nuvens cinzas cobrem todo o amor de duvidas, e as águas que são fartas são dilúvios, não têm sabor de sal nem sujeira de areia.

mas se ainda assim todos amam, não há pra quê ser diferente. desce uma dose martine, inestimavel… hoje eu vou me embreagar. e amanhã me traz o ecstasy: a aventura vai começar.

sei lá, já foi.

se não foi, tá indo…

não acabou? vai acabar…

e o que se fez?

nada. nadica de nada. (como diria painho)

 

já deve ser o trigéssimo terceiro post desse blog com esse tema: saudade, falta, vazio… até pq não se fala de coisas cheias quando se escreve. a escrita vem, no meu caso, sempre procurando suprir a falta de alguma coisa. se no fim de um relacionamento, a falta de alguém; se nas férias, a falta da rotina; se na distancia, a falta da presença; e se na alegria, a falta da tristeza.

já me vem faltanto tudo tanto, tanto nos ultimos meses (ou dias) que eu nem lembrei de escrever. acho que me faltou até memória. esqueci de você.

seria preciso escrever um livro para suprir a falta que é lembrar de ti. mas eu não o fiz. foi mais facil com algumas noites bem aproveitadas e mal-dormidas, com um outro gosto de bom-dia, com algumas outras manias.

e quando eu menos esperei você não estava mais lá, não estava mais aqui. e por incrivel que pareça eu não quis saber onde você estava, não quis mais viver você. (não que quando eu lembre, eu não sinta falta do seu gosto. mas já foi, são aguas passadas, são folhas caídas. o que tenho de ti agora foi o que deixastes em mim, é o que me ajuda a construir outros amores.)

e quando janeiro chegar, eu vou. eu vou aí te ver. mas sabe Deus se a falta vai voltar ou se vai ficar aí, se vai continuar grudando em você.

Teoricamente hoje começou a primavera aqui. Acho que estou feliz com isso. Em Recife, nunca havia percebido muito bem a mudança das estações. Costumava dizer que eram apenas duas: verão e inferno.

Aqui não, aqui é diferente.

Embora hoje tenha sido um dia muito, muito feio (com direito a muita chuva, céu cinza e neblina), eu já havia percebido a presença de dias primaveris semana passada. E é lindo.

A primavera é romântica. É bonito ver cores mais vivas nos jardins das casas do meu condominio. Lembro sempre da rosa daquela casa amarela perto da portaria. Belas rosas, sempre quis rouba-las. Mas disse-me uma amiga de Recife que não há crime pior.

Segundo ela, as rosas são belas e dificeis de cultivar. São facilmente atacadas por pragas de formigas, precisam de atenção especial, e além de tudo isso, são as flores mais queridas dos jardins que as hospedam. Rosas são como amores.

Amores são fartos nos dias primaveris. E eis-me aqui, deixando-me invadir pelo calor do meio-dia e a frieza da meia-noite. Experimentando cada nova sensação. E eis que, finalmente percebo o sentido daquela musica que costumava cantar com tanto entusiasmo: “primavera chegou, e com ela meu amoor”.

É gostoso entender as coisas. É gostoso colher amoras. É gostoso o beijo de trident hortelã apesar da saudade do halls de uva verde.

“E não há paisagem que seja mais linda do que o rosto do seu amor.

Não há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dela.

Eu te amo. Eu também te amo. Eu te amo mais. Impossível. Eu te amo o mundo. Eu te amo o universo. Te amo tudo aquilo que não conhecemos. E eu te amo antes que tudo o que nós não conhecemos existisse. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo mais do que a mim. ‘Já conheço os passos dessa estrada’… E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.”

Fernanda Young.

É feio amar demais? É medíocre não deixar as pessoas se livrarem de você só porque vc acha que pode tira-las ou encorpora-las em ti quando bem entender?

Acho que isso que eu faço. Visto colares daqueles que me amam e me amaram. E quando eles querem cair na privada, eu dou uma de superheroina para, subitamente, toma-los de volta pra mim.

Além disso, eu não me deixo ser o colar de ninguém. Eu amo demais, ou talvez ame de menos.

É muito feio não deixar um amor ser feliz?

apenas sei que todo preço é válido.

mesmo que a casca seja dura
sempre há um fruto
mesmo que nem sempre doce
sempre há sabor
mesmo que nem sempre agradável
sempre há lembrança

apenas sei que, por isso, todo preço é válido.

adoro ver a água quente caindo sobre o meu corpo,
formando caminhos.

estradas cujas curvas
- ora sutis
ora acentuadas -
sempre levam ao mesmo lugar.

águas que correm em mim
e de tão quentes,
derretem-me a pele
deixando evaporar o superficial
para que sobre apenas essência.

Como se todas as coisas que eu quisesse dizer tivessem entrado em mim contra a minha vontade, eu olhava no fundo nos teus olhos procurando uma ou duas daquelas tuas palavras bonitas para te roubar e depois devolver.

Existia o conforto de estar contigo. E ao mesmo tempo, a saudade das palavras me matava. Quando elas existiram em mim – e eu as usei em poesias bonitas – eu errei em dizer que apenas sorrisos e abraços poderiam dizer absolutamente tudo que as palavras não diziam.

Eu percebi que eu precisava delas, e sem elas eu não era ninguém. O meu olhar ficava incompleto se eu não conseguisse formular uma frase bonita que o seguisse finalizando seu sentido. Percebi, mesmo que a muito custo, que nossos beijos não valiam se eu não pudesse depois te olhar e para dizer que te amo, que eu não preciso ter certeza de que isso é pra sempre, dizer apenas que te amo.

E então tudo mais me decepcionava… Não só o fato de não ter mais palavras, mas o medo de, sem elas, perder-te…

*escrito em 30 de abril e encontrado agora a pouco vagabundando numa pasta qualquer do meu pc.

Em 16 anos da minha vida, eu só tinha visto minha mãe chorar uma vez, quando perdemos meu tio.

Mas desde o inicio desse ano tem sido diferente: eu a vejo chorar a cada seis meses, nos abraços fortes de nossas despedidas. E parece que vai ser mais ou menos assim daqui pra frente.

E mesmo que seja tão ruim ver seus olhos enxendo de ládrimas… talvez seja legal a ideia de ganhar um abraço apertado da minha mãe – mesmo que seja um, a cada seis meses!

//edit

Nessas horas eu penso: agora que eu vim pra longe, eu sei o quanto vale um simples beijinho ou abraço da minha mãe. Ainda assim eu passei um mês tão perto, mas os unicos abraços foram nas horas de ‘boas-vindas’ e na despedida. Quanta bobagem ter passado o resto dos dias como se fosse como antes, como se eu não soubesse que falta ela fazia, e como se ela não se lembrasse do quanto era ruim ir no meu quarto e não me ver dormindo.

Quanta bobagem, mãe…

Hoje eu passei a noite acordada.

Fui “dormir” às 5h28 e ainda estava escuro porque aqui é São Paulo e os pássaros cantam antes do dia amanhecer.

Eu lembrei das palavras da minha mãe quando eu ainda estava em Recife: “Trate de regularizar seu horário! Nada de esperar até às 5 da manhã, quando o dia amanhece, para ir dormir”. Tudo bem, Mãe… desculpa. É que aqui não é às 5 da manhã que o dia fica claro então, tecnicamente, talvez eu não esteja errada.

Mas depois das 5h, mesmo ainda estando escuro, os minutos foram passando e a consciencia pesando de modo que eu não esperei até o dia amanhecer para subir e deitar na minha cama gelada que, no dia anterior, minha tia havia preparado com dois cobertores e muito carinho.

Enfiei-me debaixo dos cobertores pesados e iquei me mexendo até que a temperatura ficasse suportável e então parei meu corpo, observei os ursinhos na estante ao lado da cama e tive tempo bastante para revirar meus pensamentos e sentimentos.

Muito coisa me passou pela cabeça (e coração)… uma angustia sem tamanho ao lembrar da querida ex-professora em coma; uma ansiedade absurda ao cantarolar em minha imaginação a música escolhida para o vídeo de kk. e algo completamente indescritivel ao pensar no quão estanho é estar aqui de novo depois desse longo mês em Recife!

Nesse ultimo pensamento, os olhos enxeram de lagrimas. Desci para um copo d’água. No visor do microondas: 6:12.

Sentei um instante na escada com pensamentos e sentimentos confusos o bastante para que eu não fosse capaz de descreve-los aqui… “acordei” com o barulho da água num dos banheiros lá de cima. Tia Dú tinha acordado e eu dei um pulo para a cama (odeio ouvir especulações sobre o meu horario ou coisa do tipo).

Uns dez minutos depois, eu já estava muito bem camuflada entre os meus cobertores e fingindo aquele sono pesado, foi quando ela entrou no quarto. Puxou um pouco mais o meu edredon, foi até a cama da minha priminha e com um beijinho na testa disse: “Tchau, princesa… mamãe te ama!”. Minha priminha acordou de imediato: “Boa noite, mãe!” e a minha tia deu um risinho dizendo: “Não é boa noite, princesa… Mamãe vai trabalhar e volta mais tarde!”. “Tá”, minha prima se virou e dormiu novamente. Mais um beijinho e tia Dú saiu do quarto fechando a porta.

Eu abri os olhos fitando o teto já um pouco iluminado pela vasta luz do dia atravessando a janela e a cortina. E lembrei daquela minha ultima manhã em Recife, quando entrei no quarto das minhas irmãs – que costumava ser meu também – e dei um beijo sofrido na testa de cada uma delas esboçando um “Nina te ama muito, muito, muito, viu?” no ouvido. Elas não acordaram, nem disseram que era um ‘boa noite’ mas eu sei que soou mais ou menos como um “Nina vai trabalhar… e volta daqui uns… seis meses.”