“Dá marchinha fez silêncio
Num silêncio escutei
Uma disritmia em meu coração
Que se instalou de vez”

poesia é uma coisa bonita. tenho estado mais atenta às coisas bonitas esses dias. talvez seja a solidão… essa história de ficar acordada enquanto todo mundo dorme. de estar rodeada de vários eus… meus eus de pensamento, meus eus de desejo ou de pretensão.

perceber que, no meio da madrugada e imersa em persamentos, estou no fundo do silêncio dos sonhos alheios. e nessa hora pedir uma boa musica é uma boa pedida. e quando começa a tocar… poesia. das bonitas.

e bela também a chuva, essa chuva que cai todos os dias em são paulo. e que quando vem a noite traz um ritmo gostoso à minha solidão. não sei porque, mas eu gosto do som dos trovões, e dos feiches de luz que vêm dos raios.

é bonito ver a luz lá de fora entrando pela janela. ver a sombra da palmeira na janela da sala… e ver minha solidão refletida em todos os cantos da casa quando, no meio da noite, o tédio me faz sair do quarto para dar uma volta pelo meu mundinho e suas escadarias.

a beleza vem da saudade também.

essa saudade que eu sinto no fundo do meu peito. me apertando cada vez mais a cada minuto em que estou acordada. e eu gosto dela.

ela que já faz parte de mim, ela que já está aqui, em cada uma das minhas células, me ajudando a viver. é meio que uma dor, uma dor pra lembrar… que eu ainda estou aqui, e a minha solidão não é parte dos sonhos daqueles que estão dormindo enquanto eu estou acordada.

e nesses dias de pensamos estranhos e textos confusos, no meio do silêncio e de belas poesias… “eu vou… na bubuia, eu vou”

céu é a trilha-sonora de hoje, deu pra perceber*

“pois é, não deu… deixa assim, como está

sereno

pois é… de Deus, tudo aquilo que não se pode ver”

palavras sábias.

e é tão bom quando elas vêm com uma melodia bonita. é tão bom quando elas vêm de surpresa. pelas mãos de um desconhecido nas cordas do violão, ou pela voz de um velho amigo. é tão bom respirar fundo, 0uvir a chuva, e cantar na cabeça: ‘deixa o amanhã e a gente sorri’.

são de pequenas coisas que o peito apertado se enche, com algumas notas arranhadas na guitarra que a chuva se confunde com as lágrimas. e no fim das contas… sabe? chorar é bom.

lembro muito de muitas musicas. quando comecei a ouvir e pensar no que ouvia. quando aprendi a escrever, e escrevia as letras borradas no meu caderno.lembro de quando as musicas começaram a fazer sentido pra mim. quando elas caiam como luva nas angustias ou nas alegrias da minha vida.

e é assim. toda vez que eu escuto uma musica, que até então eu só ouvia e cantava, e que de uma hora pra outra me diz o que eu precisava escutar. é assim que acontece. é de tudo isso que eu lembro. e é como eu me encho de paz. é como cada pedacinho do vazio que me preenchia vai dando uma sensação de leveza, como se o vazio fosse cheio de pedras, e essa paz que vem me encher, vem em forma de gás hélio.

é exatamente disso que eu to precisando. e é o que eu tenho encontrado nos meus cds de los hermanos (que não foram embora qndo o pc deu pau), nas musicas que me lembram minha mãe, do grande encontro e de chico buarque, e dos blogs de desconhecidos que eu tenho lido nos ultimos dias.

aos poetas, obrigado.

ao vazio, meu imenso pesar. tô tratando de me encher de coisas boas.

Não tinha lembrado que já estamos no dia trinta e um de dezembro. esqueci que o ano vai acabar, esqueci que as coisas acabam. e que quando elas se vão é preciso dizer adeus, é preciso dar um fim. saudar as coisas boas e lembrar das ruins faz parte.

mas cada ano é parte da minha vida, e o que nele acontece, não sai de mim jamais. isso é verdade. mas sei lá… me sinto tão velha (uns 5 anos a mais, pelo menos) que tenho medo de ter deixado de viver com aquela sensibilidade que eu costumava ter, aquele peso do aprendizado que eu costumava procurar em cada minimo detalhe da minha vida. meu medo é ter começado a viver de olhos abertos demais pra enxergar as coisas do coração.

por isso este post, por isso e nada mais. por que é preciso. é preciso lembrar que nada foi em vão. que o ano se vai, mas o importante fica para o proximo, ou pr’uma vida inteira. mas que os detalhes irão desaparecer sob a sombra dos proximos anos, e que desses detalhes – desses detalhes felizes – eu não posso esquecer. não sem um porto seguro, sem algo que quando esquidos, encontrarei para relembrar.

2009 foi um ano importante para mim. vir morar em são paulo foi um fato marcante. esse lugar cinza, sem a beleza daquele céu azul de Recife, sem o mantra que era o barulho das águas do mar. foi um choque conviver com pessoas que não sabem o que é um abraço. foi um choque não mais ver o azul do céu surgindo às 5 da manhã, ver o dia tão escuro quanto a noite algumas vezes.

mas foi fantastico usar quatro casacos para ir pra escola. não morar mais com a minha mãe, rever meus amigos e amores em julho, rever mais amigos e amores em agosto. foi fantástico andar pela paulista, pegando o metrô para a república. fantastico sair de casa com dois amigos às 14h e voltar às 8h do outro dia. tudo fantastico demais pra ser só isso.

veio também a responsabilidade. a certeza de que, mais do que nunca, minha vida está nas minhas mãos. é legal – e muito chato ao mesmo tempo – tomar minhas proprias decisões. escolher pra onde vou, com quem vou e como volto. não mais me preocupar em dar satisfações. no entanto, agora eu sei, que não há mais em quem por a culpa dos meus atos. qualquer coisa que aconteceu ou acontecerá daqui pra frente, não é mais porque a minha mãe deixou, ou porque ela proibiu. tudo agora está nas minhas mãos, e isso pesa… pesa feito o mundo de raiva que dá quando uma mãe nos proibe de fazer algo.

em 2009 eu descobri que crescer de verdade não é nada fácil. ainda continuo com 1,59m, mas até os amigos mais proximos, ao me reencontrarem, me disseram que eu estava mais velha. minha expressão não é mais a mesma, meus valores não são mais o mesmo, e mudo mudou desde aquele 31 de dezembro de 2008. mudou mais do que em qualquer outro ano da minha vida.

e como não lembrar do amor? logo quando eu estava esquecendo dele, desacreditando que isso era possivel, mergulhando cada vez mais fundo no meu mar de lógica… o amor chegou. meu porto seguro no meio dessa confusão de sentimentos e experiencias que estavam/estão acontencendo. conhecer alguem especial é fantastico em qualquer ano. mas o alguem de 2009, é a quem eu devo tudo no dia de hoje. a unica pessoa que eu pude contar em 365 completamente diferentes de todos os outros da minha vida. a pessoa que fez absorver da melhor forma cada crise existencial desse ano, ou cada apse de saudade, que me fez tranquila quando subia o desespero, que não me deixou sozinha… é ela, a responsavel pelo ano maravilhoso que eu tive.

pode parecer clichê, e que pareça (descobri este ano também que as aparencias só importam quando há quem as veja… neste caso não importam, caro inestimavel, pois só as vemos eu e tu) que pareça clichê, mas este ano o esgoismo tomou conta de mim. e eu quero meu porto seguro em 2010, 2011 e 2012, quando finalmente, se Deus quiser, o mundo vai acabar.

estou feliz, no entanto. não terei nenhum dos meus amigos à meia-noite. nem minha mãe nos primeiros dias se perguntando como alguem de 16 anos começa um ano virando a noite fora de casa. nem os abraços e gritos que, em recife, embalam os primeiros dias de janeiro.

terei a mim, apenas. e uma carga enorme que 2009 tá deixando na minha historia. expectativas pra 2010? a gente conversa quando ele chegar.

meu caro inestimável,

tenho respirado novos ares, tenho lido novos blogs, baixado novos cds, ido a novos shows… mas me diz uma coisa? o que todo mundo tanto fala desse tal de amor? por que que tanto sofrem por ele, os poetas e os compositores?

e o sexo nisso tudo? ora tão sublime, ora tão vulgar. eu, inestimável, eu que tenho me aventurado a descobrir novos corpos, cheiros e tempeiros não sei mais o que pensar.

que tanto alcool é esse que há nesse tal de amor que embreaga tanto as pessoas? e essa ressaca que dizem não ter cura? e quando junto com o amor, o sexo vem dissolvido? se no começo é aventura, inestimável, no fim tudo parece estar perdido.

tenho medo de amar também. minha mãe me disse que amar era bom, mas agora tão longe, meu medo é descobrir que a realidade é o contrário das histórias de mamãe. em Recife todo amor tem benção das águas do mar, do calor ardente e do céu azul. aqui não. aqui as nuvens cinzas cobrem todo o amor de duvidas, e as águas que são fartas são dilúvios, não têm sabor de sal nem sujeira de areia.

mas se ainda assim todos amam, não há pra quê ser diferente. desce uma dose martine, inestimavel… hoje eu vou me embreagar. e amanhã me traz o ecstasy: a aventura vai começar.

sei lá, já foi.

se não foi, tá indo…

não acabou? vai acabar…

e o que se fez?

nada. nadica de nada. (como diria painho)

 

já deve ser o trigéssimo terceiro post desse blog com esse tema: saudade, falta, vazio… até pq não se fala de coisas cheias quando se escreve. a escrita vem, no meu caso, sempre procurando suprir a falta de alguma coisa. se no fim de um relacionamento, a falta de alguém; se nas férias, a falta da rotina; se na distancia, a falta da presença; e se na alegria, a falta da tristeza.

já me vem faltanto tudo tanto, tanto nos ultimos meses (ou dias) que eu nem lembrei de escrever. acho que me faltou até memória. esqueci de você.

seria preciso escrever um livro para suprir a falta que é lembrar de ti. mas eu não o fiz. foi mais facil com algumas noites bem aproveitadas e mal-dormidas, com um outro gosto de bom-dia, com algumas outras manias.

e quando eu menos esperei você não estava mais lá, não estava mais aqui. e por incrivel que pareça eu não quis saber onde você estava, não quis mais viver você. (não que quando eu lembre, eu não sinta falta do seu gosto. mas já foi, são aguas passadas, são folhas caídas. o que tenho de ti agora foi o que deixastes em mim, é o que me ajuda a construir outros amores.)

e quando janeiro chegar, eu vou. eu vou aí te ver. mas sabe Deus se a falta vai voltar ou se vai ficar aí, se vai continuar grudando em você.

Teoricamente hoje começou a primavera aqui. Acho que estou feliz com isso. Em Recife, nunca havia percebido muito bem a mudança das estações. Costumava dizer que eram apenas duas: verão e inferno.

Aqui não, aqui é diferente.

Embora hoje tenha sido um dia muito, muito feio (com direito a muita chuva, céu cinza e neblina), eu já havia percebido a presença de dias primaveris semana passada. E é lindo.

A primavera é romântica. É bonito ver cores mais vivas nos jardins das casas do meu condominio. Lembro sempre da rosa daquela casa amarela perto da portaria. Belas rosas, sempre quis rouba-las. Mas disse-me uma amiga de Recife que não há crime pior.

Segundo ela, as rosas são belas e dificeis de cultivar. São facilmente atacadas por pragas de formigas, precisam de atenção especial, e além de tudo isso, são as flores mais queridas dos jardins que as hospedam. Rosas são como amores.

Amores são fartos nos dias primaveris. E eis-me aqui, deixando-me invadir pelo calor do meio-dia e a frieza da meia-noite. Experimentando cada nova sensação. E eis que, finalmente percebo o sentido daquela musica que costumava cantar com tanto entusiasmo: “primavera chegou, e com ela meu amoor”.

É gostoso entender as coisas. É gostoso colher amoras. É gostoso o beijo de trident hortelã apesar da saudade do halls de uva verde.

“E não há paisagem que seja mais linda do que o rosto do seu amor.

Não há pôr-do-sol que valha desviar seu olhar do dela.

Eu te amo. Eu também te amo. Eu te amo mais. Impossível. Eu te amo o mundo. Eu te amo o universo. Te amo tudo aquilo que não conhecemos. E eu te amo antes que tudo o que nós não conhecemos existisse. Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo mais do que a mim. ‘Já conheço os passos dessa estrada’… E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida.”

Fernanda Young.

É feio amar demais? É medíocre não deixar as pessoas se livrarem de você só porque vc acha que pode tira-las ou encorpora-las em ti quando bem entender?

Acho que isso que eu faço. Visto colares daqueles que me amam e me amaram. E quando eles querem cair na privada, eu dou uma de superheroina para, subitamente, toma-los de volta pra mim.

Além disso, eu não me deixo ser o colar de ninguém. Eu amo demais, ou talvez ame de menos.

É muito feio não deixar um amor ser feliz?

apenas sei que todo preço é válido.

mesmo que a casca seja dura
sempre há um fruto
mesmo que nem sempre doce
sempre há sabor
mesmo que nem sempre agradável
sempre há lembrança

apenas sei que, por isso, todo preço é válido.

adoro ver a água quente caindo sobre o meu corpo,
formando caminhos.

estradas cujas curvas
- ora sutis
ora acentuadas -
sempre levam ao mesmo lugar.

águas que correm em mim
e de tão quentes,
derretem-me a pele
deixando evaporar o superficial
para que sobre apenas essência.